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Historia

A Ideia do LabHidro, na versão do Prof. e Dr. Jorge Barcelos:

Tudo começou com a aproximação da "crise dos 40 anos", por volta de 1995. É um momento de inquietação e reflexões. Momento raro onde a percepção é aguçada e a visão ampliada. Foi como se estivesse chegando ao cume de uma montanha. O final de um objetivo que a própria natureza traçou, mas... Aproximando-se do cume desta montanha percebeu-se que lá existe uma encruzilhada com duas opções: ou fica-se simplesmente esperando a vida passar ou traça-se novos objetivos. E é justamente por isso que chega-se a crise dos 40. E foi duro perceber que para ir mais longe, temos que sair da engrenagem em que se é naturalmente inserido ao longo do tempo para, então, escolher o próprio caminho. A solução foi olhar para trás, reunir toda experiência acumulada entre tropeços e conquistas, olhar em volta para levantar questões pendentes e, então, partir para a definição do caminho a seguir. E assim, a criação do LabHidro foi só uma consequência.

Atividades Relacionadas:

A agronomia continua sendo uma área tão carente que a própria fisionomia do trabalhador rural diz tudo. Sendo assim, não era mais possível contentar-se apenas com o que me ensinaram a fazer. Qualquer tentativa diferente valeria a pena. A experiência acumulada ao ser filho de produtor rural, de sete anos de internato (em Ginásio Agrícola e em Escola Técnico Agrícola), de agrônomo, de professor universitário, de cursos de mestrado e doutorado, evidenciava que o destino era mesmo continuar na área agrícola. Outra questão, era perceber e reunir os problemas históricos, os problemas presentes e aqueles problemas que devem se agravar no futuro. Também, optou-se por definir que qualquer meta a ser traçada deveria atender as questões ergonométricas, ambientais e econômicas.

O Senso de Oportunidade e Viabilidade:

O lado bom de ter feito um curso de doutorado foi poder perceber com mais clareza que qualquer um de nós é capaz de criar ou realizar quase tudo que desejar. Basta querer fazer algo, pensar, reunir informações geralmente disponíveis, organizá-las, traçar metas e, então, partir para a luta. Claro que paciência e persistência são os ingredientes fundamentais. Outro aspecto é que o ambiente das universidades federais é talvez, o mais propício para geração e inicialização de novas ideias.

Por que Hidroponia?

Partiu-se do princípio de que já existe, hoje, tecnologia para tudo, e de que estas tecnologias não estão sendo aplicadas adequadamente. Muito menos ainda, no setor agrícola, principalmente no caso do pequeno produtor rural. Foi fácil perceber que a hidroponia, ou melhor ainda, o cultivo sem solo, é um sistema de cultivo que absorve muito bem todo tipo de tecnologia, desde as mais antigas até as mais recentes, e atende plenamente o conjunto ergonomia-ambiente-economia.

Apoio Inicial:

Com a idéia na mão, uma área que necessitava em torno de 2 metros de aterro, com tudo para comprar (martelo, prego, cavadeira, furadeira, corda, balde, moto-bomba, reservatório, alicate, carrinho de mão, fios, condutivímetro, peagâmetro, livros, brita, areia, chaves de fenda, parafusos, madeiras, lixa, bandejas de isopor, adubos, timer...) e sem uma mão-de-obra sequer, foi fácil perceber o que vinha pela frente. Resumindo: basicamente, tudo foi construído pelas mãos de um professor e eventuais alunos bolsistas, salvo alguma ajuda oportuna que sempre foi bem vinda. O primeiro apoio financeiro foi de R$ 5.000,00 do programa FunGrad/1996 - UFSC (Fundo de Apoio a Melhoria do Ensino de Graduação). Simultaneamente, surgiu o apoio da empresa privada AKROS de Joinville/SC (doou toda tubulação).

As Pesquisas Feitas para o Negócio Acontecer:

Assim como existem carros e carros, pois cada um tem suas vantagens e desvantagens, existem furadeiras e furadeiras, martelos e martelos. Portanto, com R$ 5.000,00 tudo tinha que ser otimizado. Também, não podia pensar na possibilidade de comprar um serrote e depois descobrir que já existe outro com tecnologia capaz de proporcionar menor esforço físico, maior eficiência e maior durabilidade. Neste caso, bastou reunir e confrontar opiniões de marceneiros e balconistas. Resultado: comprou-se dois serrotes de vídea e, ainda, com preço muito inferior aos serrotes comuns, já que durante cada pesquisa ficava sabendo tudo de preços do comércio local. Descobriu-se também que: lâmpadas se compra na "casa das lâmpadas", pistola de pintura se compra na "casa das pistolas", que em SP existe a rua Santa Ifigênia, que em Porto Alegre... Como se vê, as pesquisas foram feitas mais no sentido de como montar a estrutura física de apoio. Seria suicídio fazer pesquisa de mercado para uma coisa que ninguém conhecia.

As Parcerias Realizadas:

Muitos foram os contatos e as tentativas, muito tempo, muita saliva e muito papel. O que funcionou mesmo foi arregaçar as mangas. Entretanto, a parceria com a AKROS doando todos os tubos e conexões necessários, foi fundamental no início. Depois, ela se afastou, creio, por perceber que nem ao menos um funcionário havia à disposição do Laboratório. Outro grande aliado, foi o prezado colega Pedro Furlani (IAC - Campinas) que, mesmo a distância, sempre ajudou a esclarecer dúvidas.

Os Maiores Desafios:

Os desafios são permanentes. O pior de todos foi sair da zona de segurança, conquistada pela formação profissional ao longo da primeira etapa da vida (escalada da montanha). O primeiro sintoma foi a inevitável insegurança. E o antídoto utilizado foi seguir em frente para onde a intuição apontava, sem nunca vacilar. Afinal, abandonar o terreno conhecido para andar em terreno desconhecido é para quem realmente tomou uma decisão própria, pois sabe que a palavra "dificuldade" será o normal do dia à dia. Mesmo o elementar é alcançado às custas de muita energia. Além da intuição, outra tática utilizada foi falar o mínimo e trabalhar o máximo. Até porque, não tinha muito o que falar, e sim o que fazer.

A Perseverança do Idealizador:

Idealizou-se trabalhar num Laboratório que pudesse de fato atender os três princípios básicos das Universidades Federais: ensino, pesquisa e extensão. Pensou-se num ambiente acadêmico com atividades permanentes, não se resumindo, meramente, ao período letivo. Algo que lembra o Hospital Universitário. Assim, o aluno sai melhor capacitado, mais criativo e mais motivado. Um Laboratório que vive uma situação real, pode gerar pesquisas mais condizentes com a realidade. Por conseqüência, pesquisas mais aplicadas geram rápido impacto junto a comunidade. Ponderando esta idéia e vislumbrando o potencial da hidroponia, surgiu o LabHidro. Como havia clareza nos objetivos, persistir foi a palavra chave.

A Criação do Curso:

A tentação pelo oferecimento de cursos dirigidos a comunidade começa a aparecer desde os primeiros meses de trabalho. Por isso, foi necessário definir, o mais rápido possível, que tais cursos seriam oferecidos somente após alguns anos de experiência prática, vivida diariamente. A principal razão disto era primar pela qualidade do curso. Passados quatro anos, o mais difícil foi definir a carga horária total mais adequada e quantas horas seriam destinadas a aula prática. Finalmente, a opção por cursos de dois dias, sendo um dia só de aula prática, foi resultado de troca de idéias com o amigo Raul Vergueiro Martins.

Amadurecimento e Identidade:

A parada para reflexão, a definição de novos objetivos, o planejamento das ações, o cronograma de atividades, a implantação do LabHidro e a manutenção de atividades permanentes são elementos importantes no currículo de um profissional. A sensação é de que pouco se sabe, mas mesmo assim, olhando para trás, percebe-se que houve bastante amadurecimento neste período. A maior virtude que caracteriza o LabHidro é ter se dado a oportunidade de tentar fazer, de errar, de tentar acertar, de tropeçar, de tentar sair mais forte a cada tropeço, e de tentar dividir os conhecimentos adquiridos.

Situação Atual:

A vida do LabHidro está fundamentada em três pilares de sustentação: a ergonomia, o meio ambiente e a economia. Outra questão, é que o LabHidro optou por aprender fazendo, pesquisar e ensinar fazendo. Por anos, as conquistas atingidas nas áreas do ensino, da pesquisa e da extensão, foram pelo empirismo, na busca de experiência prática na hidroponia. No estágio atual, o LabHidro se sente maduro, com relativa estrutura. Mas graças àquele período de experiência prática, foi possível identificar inúmeros temas de pesquisa com potencial de gerar efeitos práticos imediatos. Para isto, o LabHidro se interessa por parcerias com colegas professores ou pesquisadores, empresas públicas ou privadas, produtores, instituições de ensino ou de pesquisa.

As Próximas Metas do LabHidro:

O objetivo maior do LabHidro sempre foi reunir e gerar conhecimentos visando apontar para uma agricultura mais atraente e menos agressiva. Para permanecer neste caminho, pretende-se continuar: (1) acumulando e trocando experiências práticas; (2) reunindo e gerando conhecimentos; (3) repassando e trazendo conhecimentos. Isto foi conseguido às custas de muito trabalho prático, onde priorizou-se o ato de cultivar hidroponicamente, simulando um caso real de produtor. Agora, sem abdicar do cultivo hidropônico, investe-se mais energias na pesquisa, trabalhando justamente os temas que foram levantados durante esse período inicial (pesquisa exploratória). Portanto, a atual meta tem sido priorizar a investigação científica (pesquisa), para que os resultados obtidos sejam repassados a comunidade externa (extensão) e interna (ensino) com cunho mais científico.

LIÇÕES DE VIDA, que foram marcantes

Para não incomodar as pessoas, rejeitei até copo d'água, mesmo estando "morrendo" de sede... (lembro muito disso)
Com o tempo descobri que, na verdade, estavam... acima de tudo... tentando se sentir úteis.
Com minha recusa... os dois lados saiam frustrados.
Acabei percebendo o real sentido dos "dois lados da moeda".
Ambos são diferentes, mas cada um com seus valores, suas necessidades.
Um... não viveria sem o outro.
Hoje, compreendo melhor o significado da palavra "parceiro".

Ao ouvir debates (palestras ou discussões), me incomodava o fato de mudar minha opinião conforme alterava o debatedor.
Ou seja, valia a última palavra.
Pior... se pudesse descobrir o que a maioria pensava... então era por aí mesmo.
Com o tempo... e com a dura trilha do Curso de Doutorado... descobri a incrível sensação de saber ouvir os outros e de saber ouvir a si mesmo.
Ao saber ouvir a si mesmo... descobre-se o poder e o valor da intuição.
E, como a intuição leva a caminhos não convencionais... você viaja... suave... sem intenção de ser o último a falar.

Hoje, no meio acadêmico, discute-se muito sobre interdisciplinaridade.
Muitos a querem... Poucos a alcançam.
Outro dia, vi alguém recomendar uma única medida para solucionar um problema.
Este deve ser o lado oposto da interdisciplinaridade.
Com uma visão holística, ele teria percebido que ao aprofundar o assunto (dentro da sua área de conhecimento), as demais áreas, ainda não perderiam seu valor.
É fácil entender porquê mil economistas (todos com elevado grau de conhecimentos em economia) enfrentam sérias dificuldades para resolver problemas econômicos.

Nunca consegui me ver sendo um seguidor de outra pessoa (Ex: marxista, freudiano, budista...).
Entretanto, desde 2003, sou cristão. Ou seja, sou um seguidor das mensagens que Jesus nos deixou (elas estão detalhadas no Novo Testamento).
Apenas, pensava que era cristão pois tinha a minha religião.
Agora, compreendo que religião é coisa do Homem (que ao longo dos tempos acabou desvirtuando muita coisa).
A gente se torna cristão, quando "cai a ficha", quando aceita o Cristo como sendo seu único Senhor e Salvador.
O importante foi descobrir o que é "fé cristã" (Curso Alpha).
Leia: "Você não está aqui por acaso" Rick Warren www.editoravida.com.br
(já li milhares de páginas de livros técnicos e científicos, mas estas 59 páginas!!!)